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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Distúrbios Neuróticos e Comportamentais - Distúrbios de Humor

Outra manifestação frequente de doença mental é a dos distúrbios de humor. Nesta categoria estão os bem conhecidos tipos de depressão e doença maníaco depressiva. A depressão é caracterizada por sentimentos contínuos de tristeza e vazio, um interesse marcadamente diminuído em todas as atividades, uma incapacidade de se concentrar, insônia, cansaço constante e um sentimento de inutilidade. O distúrbio maníaco-depressivo (ou bipolar) é caracterizado por períodos de depressão alternados a períodos de exaltação, devaneios, tremenda energia, diminuição na necessidade de sono e extrema extroversão e necessidade de conversação. Kay Redfield Jamison, uma professora da Universidade Johns Hopkins e uma autoridade internacional em doença maníaco-depressiva, conta sua própria experiência com o distúrbio. Segue uma descrição de como ela se sentia:

"Há um tipo particular de dor, exaltação, solidão e terror envolvido nesse tipo de loucura. Quando você está alto é algo tremendo. As ideias e sentimentos são rápidos e frequentes como estrelas cadentes, e você os segue até encontrar outros melhores e mais brilhantes. A timidez se vai, as palavras e gestos corretos de repente estão lá, o poder de cativar os outros uma certeza sentida. Interesses são encontrados em pessoas desinteressantes... Sentimentos de facilidade, intensidade, poder, bem-estar, onipotência financeira e euforia permeiam sua essência. Mas, em algum ponto, tudo isso muda. As ideias rápidas são rápidas demais, e são muitas; a clareza dá lugar à confusão opressiva. A memória se vai. O humor e a assimilação dos rostos dos amigos dão lugar ao medo e preocupação. Tudo o que antes se movia favoravelmente agora se volta para trás -- você se torna irritado, assustado, incontrolável e totalmente enredado nas mais sombrias cavernas da mente. Você nunca soube que essas cavernas estavam ali. E parece que não acaba nunca, pois a loucura esculpe sua própria realidade.

"E assim continua... O que fazer então, após os remédios, o psiquiatra, o desespero, a depressão e a overdose? Todos aqueles sentimentos incríveis... o que eu fiz? Por quê? E o mais assustador: quando vai acontecer de novo? Quais dos meus sentimentos são reais? Quais dos "eus" sou eu? Será o selvagem, impulsivo, caótico, enérgico e louco? Ou o tímido, retirado, desesperado, suicida, condenado e cansado? Provavelmente um pouco de ambos, com muita esperança de não ser nenhum deles."*

{* Jamison, Kay Redfield, An Unquiet Mind. (Alfred A. Knopf, New York, 1995), pg. 67-8}

Vimos aqui um caso no qual o comportamento neurótico pode ser acompanhado de episódios ocasionais de comportamento psicótico, de modo que a linha entre condições "lunáticas" e distúrbios comportamentais é às vezes difícil de distinguir.

Distúrbios Neuróticos e Comportamentais - Distúrbios de Ansiedade

Outra manifestação bem reconhecida de distúrbio comportamental é a dos distúrbios de ansiedade. Esta é uma das formas mais comuns de doença mental. Nessa categoria encontramos coisas como fobias, distúrbios de estresse e distúrbios que causam ataques de pânico. Algumas pessoas tem um distúrbio de ansiedade generalizado, no qual se preocupam o tempo todo com quase tudo. Como pode-se esperar, tais indivíduos têm (por muitos motivos) um alto grau de ansiedade, muitas vezes acompanhada por medos irracionais. Além disso, pela ansiedade intensa e muitas vezes incapacitante, podem experimentar sintomas físicos tais como palpitações no coração, sudorese, tremores, falta de ar e tontura. Distúrbios de ansiedade podem afetar tanto crianças como adultos, como mostra o exemplo a seguir:

"Anne-Marie (não é seu verdadeiro nome) era uma filha de 10 anos de idade, de uma família intacta e apoiadora, que foi descrita como 'ansiosa de nascimento'. Ela tinha sido retraída e tímida na pré-escola, mas se adaptou bem à 1ª série e começou a fazer amigos e a se dar bem na escola. Ela apresentou várias vezes dores abdominais crônicas e difusas que eram piores de manhã e nunca ocorriam à noite. Ela tinha perdido cerca de 20 dias de escola durante o ano anterior por causa da dor. Ela também evitava viagens de campo da escola, temendo um acidente com o ônibus. Seus pais relataram que ela tinha dificuldade em pegar no sono e frequentemente pedia que a tranquilizassem.

"Ela se preocupava que ela e os membros de sua família pudessem morrer. Ela era incapaz de dormir antes de um teste. Ela não conseguia tolerar que seus pais estivessem em outro andar da casa em que ela não estivesse, e ela verificava as portas e janelas à noite, temendo intrusos.

"Seu medo de ficar sozinha, necessidade de tranquilização constante, problemas com faltas na escola eram tanto frustrantes quanto perturbadores para seus pais.

"Ela não tinha experimentado quaisquer eventos traumáticos, embora ela reagisse fortemente às imagens do 11 de setembro de 2001 na televisão. Um de seus avós tinha morrido no ano interior. Uma tia materna tinha recentemente sido tratada com fluoxetina [uma droga antidepressiva] para depressão e era descrita como 'uma pessoa nervosa'.

"Anne-Marie tem sintomas típicos de um distúrbio de ansiedade infantil."*

{* Manassis, Katharina, M.D., F.R.C.P.©), Childhood Anxiety Disorders. (Canadian Family Physician, March, 2004), pg. 380 }

terça-feira, 25 de julho de 2017

Distúrbios Neuróticos e Comportamentais - Distúrbios de Personalidade

Nesta categoria reconhecemos primeiramente uma gama de problemas que podem ser chamados de distúrbios de personalidade. Todos temos traços comportamentais que são padrões duradouros de percepção, que se relacionam e reagem a nós mesmo e aos outros em uma ampla gama de contextos. Esses traços nos tornam indivíduos distintos e são conhecidos como nossa personalidade. Em alguns indivíduos certos traços tornam-se exagerados em tal extensão que passam a ter padrões de comportamento seriamente inflexíveis e limitados. Muitas vezes a inflexibilidade de personalidade e sua vulnerabilidade a estresses específicos resultam em verdadeiras dificuldades de adaptação social, levando a distúrbios significativos na vida individual. Alguns possuem uma personalidade dependente, na qual o indivíduo tem dificuldade de tomar decisões, iniciar projetos por conta própria, ou expressar desacordo. Tais pessoas fazem de tudo para obter a aprovação dos outros e são urgentes na busca por relacionamentos. Outros possuem um tipo de personalidade evasiva, não estando dispostos a se envolverem com coisa alguma a não ser algumas coisas que gostam. Tais pessoas se preocupam em ser criticadas e são inibidas em situações novas por se sentirem inadequadas. A personalidade antissocial não tem capacidade de formar relacionamentos adequados com os outros. Eles parecem insensíveis e autocentrados, desprovidos de um senso de responsabilidade, e são dados a prazeres imediatos. Eles muitas vezes não possuem capacidade de juízo próprio, mas ainda assim são inteligentes o bastante para planejar racionalizações que convençam a si mesmos que suas ações são razoáveis e justificadas. A personalidade obsessivo-compulsiva preocupa-se com ordem, perfeccionismo e controle interpessoal, ao custo de flexibilidade, abertura e eficiência. A descrição a seguir nos fornece um exemplo de uma personalidade obsessivo-compulsiva:
"A Sra. C., uma gerente de loja de 41 anos, foi fazer uma avaliação psicológica graças à insistência do gerente regional da rede de lojas para a qual trabalha. Ela falhou em entregar os últimos quatro relatórios periódicos em tempo, e sua loja tem uma das piores taxas de produtividade da rede, apesar de ela usualmente chegar cedo no trabalho e ficar até mais tarde do que qualquer outro gerente, e parecer estar ocupada em cada minuto do dia. A Sra. C trava frequentes batalhas com seus funcionários e tem a maior taxa de rotatividade de funcionários na rede. Quando confrontada com esses problemas, ela insiste que sua loja está sendo conduzida 'adequadamente' e de acordo com as regras -- diferente das outras lojas da rede, que estariam mantendo padrões de 'má qualidade'.

"É fácil identificar a fonte da dificuldade na loja. A Sra. C insiste que seus funcionários coloquem e arranjem as mercadorias em linhas requintadamente retas. Ela verifica uma vez, duas, três, quatro vezes todos os itens, e é essa a razão pela qual ela nunca consegue terminar seus relatórios periódicos a tempo. Ela microgerencia cada aspecto da operação da loja e, consequentemente, seus gerentes subordinados estão sempre pedindo transferência para outras lojas. Em vez de apreciarem a constante supervisão da Sra. C, seus gerentes acham isso irritante e demorado. Ela está constantemente elaborando gráficos, tabelas e diretrizes de funcionários. Ela gasta boa parte de seu tempo toda manhã construindo e elaborando listas de tarefas que nunca encontra tempo para completar.

"A Sra. C é casada há 15 anos e tem dois filhos adolescentes. Seu marido é carteiro. O Sr. C relatou ao terapeuta que antes da Sra. C começar a trabalhar na loja há 6 anos atrás eles tinham muitas brigas conjugais por causa da necessidade da Sra. C de supervisionar e dirigir cada aspecto de sua vida. Ela insistia em saber onde ele estava em cada momento e tinha tentado planejar todas as atividades de seu tempo livre. Ele disse que foi um grande alívio para ele quando ela começou a trabalhar na loja, tornando-se ocupada demais para prestar tanta atenção na vida dele. O Sr. C diz que é difícil para ele e os filhos convencerem sua esposa a tirar férias e que geralmente acaba não sendo muito divertido quando ela concorda em ir. A Sra. C planeja o itinerário e as atividades minuciosamente e insiste que todos devem participar do que ela agendou. Nada de espontâneo ou não planejado é permitido, e ela espera que todos passem o tempo 'produtivamente', mesmo quando de férias."*

{* Frances, Allen, M.D., and Ross, Ruth, M.A., DSM-IV Case Studies. (American Psychiatric Press, Washington, D.C., 1996), pg. 315-6 }