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domingo, 20 de maio de 2018

Possessões Demoníacas

Foi Satanás (disfarçado de serpente) que primeiramente mentiu para Eva e a tentou a desobedecer a Deus ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Aprendemos de outras passagens que Satanás já foi, uma vez, um dos anjos de Deus, mas que se rebelou contra Deus, desejando ter um lugar que não lhe pertencia. Outros anjos evidentemente se rebelaram juntamente com ele, de modo que agora há milhares de demônios que constituem as hostes de Satanás. Eles estão constantemente buscando frustrar os propósitos de Deus e frequentemente o fazem vivendo em homens e mulheres, influenciando suas mentes e corpos de uma maneira ruim. Às vezes essa influência maligna envolve a tomada de controle da alma e do espírito humano (e finalmente do corpo) e a produção de sintomas de doença mental.

Há vários exemplos disso nas Escrituras. Em Mateus 17:14-21, temos a história de um garoto que foi possuído por um demônio, e que, como resultado, foi descrito por seu pai como "lunático e [que] sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água". Quando o Senhor Jesus expulsou o demônio, a criança foi curada. Em Marcos 5:1-20 lemos a história de um homem que estava possuído por demônios, e que vivia entre as tumbas, nu, gritando e se cortando com pedras. Quando Jesus expulsou os demônios, ele apareceu "vestido e em perfeito juízo" (Marcos 5:15).

Houve muitos outros relatos de testemunhas oculares que contam daqueles que agiram de modos muito anormais, evidentemente por causa da influência de demônios que os possuíram e perturbaram. Muitas vezes as alucinações e comportamento bizarro exibidos por essas pessoas é atribuído a outras causas, até que a verdadeira natureza do problema é reconhecida. Pessoas em países africanos e asiáticos sabem bem como feitiços e macumbas podem afetar não apenas o corpo, como também a mente das pessoas. Um psiquiatra americano, que trabalhou no Zimbábue por um ano, relata o seguinte, no que diz respeito a um paciente que ele foi chamado a tratar (o termo "irmã" refere-se simplesmente a uma enfermeira):
"'Você consegue entender o que ela está dizendo, Irmã?' 
"'Sim, algumas coisas', respondeu a Irmã Chimhenga. 'Amai está dizendo que sua bisavó, Ambuya Zezuru, está falando com ela, e a possuindo. Ela é chamada por Ambuya para sofrer por seus pecados.' 
"Eu sabia o que a palavra Shona 'ambuya' significava, e que 'amai' significava 'mãe' ou 'patroa', mas eu não tinha entendido todo o significado cultural da interpretação da Irmã. 'Irmã, me desculpe, mas o que isso tudo significa?' 
"'Significa que Amai acredita estar enfeitiçada por sua bisavó, que pode ter sido uma profetiza em seu tempo. Um espírito ancestral importante.' 
"'Um feitiço?' 
"'Poderia ser', disse ela, pausando. 'A família dela deve ter pensado assim'"*
{* Linde, Paul R., Of Spirits and Madness. (New York, McGraw-Hill, 2002), pg. 105}

Infelizmente, enquanto grande parte do mundo definha em cativeiro nas mãos de tais forças malignas, muitas pessoas nos países ocidentais negam a existência de Satanás. O poder de Satanás está aumentando em países antes considerados cristãos, à medida que Deus e Suas reivindicações estão sendo cada vez mais deixadas de lado. Considere o seguinte incidente que ocorreu na prática de um médico cristão que eu conheço bem:
"Há cerca de seis anos atrás, eu estava entrevistando uma mulher em um quarto de hospital. Ela estava seriamente deprimida e não respondia aos remédios. Enquanto eu lhe fazia perguntas sobre seus pensamentos, ela de repente desenvolveu um olhar 'vidrado', e eu logo soube que ela não podia mais me ouvir. Ela parecia estar congelada em seus próprios pensamentos enquanto fixava o olhar para o nada. Momentos depois, ela falou com uma voz mecânica e antinatural: 'Deixe ela em paz; ela é nossa!' 
"Não foi necessário muito discernimento para perceber que eu não estava mais falando com minha paciente e que uma força maligna e sobrenatural tinha empurrado ela para o lado para me intimidar diretamente."*
{* Mullen, Grant, M.D., Emotionally Free. (Chosen Books, Grand Rapids, MI, 2003), pg. 103, 109 }

Como o médico já tinha percebido nesse caso, os remédios usuais para tratar a depressão não estavam surtindo efeito naquela mulher. Uma força maior do que ela mesma tinha tomado posse dela, e apenas pelo expulsar do demônio ela poderia ser curada. Às vezes, aqueles sob poder demoníaco ouvirão vozes ou verão coisas irreais, e ocasionalmente é difícil saber, ao menos no início, se o indivíduo está sofrendo de uma doença psicótica ou se está experimentando um ataque demoníaco. Às vezes, profissionais que não são crentes não reconhecerão o que está acontecendo e colocarão o paciente sob medicação a princípio, apenas para descobrirem que ela não vai funcionar de forma previsível.

Desde o tempo em que o mundo rejeitou o Senhor Jesus Cristo, as Escrituras chamam Satanás tanto de deus como de príncipe deste mundo (Veja 2 Coríntios 4:4 e João 14:30). Ele é o deus deste mundo religiosamente e seu príncipe politicamente. Ele sabe que é um adversário derrotado, mas neste tempo da graça de Deus, ele continua sendo o "príncipe das potestades do ar" (Efésios 2:2), realizando a sua obra maligna. Ele pode habitar em um incrédulo, assumindo o controle de sua pessoa e o forçando a fazer o que quer que o espírito maligno comande. Embora ele não possa habitar em verdadeiros crentes (porque são habitados pelo Espírito de Deus), ele pode e consegue perturbá-los, especialmente aqueles que podem ter se envolvido com práticas ocultas antes de serem salvos. Ler livros pecaminosos (tais como os pornográficos) ou ocultos, ou assistir a entretenimentos que contenham temas malignos, pode abrir a porta para esses ataques demoníacos. Além disso, envolver-se deliberadamente em práticas ocultas (tais como usar tabuleiros Ouija, cantar chamadas ao mundo espiritual, envolver-se com adivinhos, etc.) pode convidar esses espíritos malignos para nossas vidas.

O único remédio para a possessão demoníaca é a autoridade do Senhor Jesus que pode comandar que um demônio saia da pessoa. O Senhor Jesus fez isso várias vezes durante seu ministério na Terra, e certamente os apóstolos também o fizeram. O Senhor Jesus tornou esse poder disponível a todos os crentes, através de Seu nome. Antes de subir de volta para o céu, o Senhor Jesus disse: "E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios" (Marcos 16:17). Agora é possível que demônios sejam expulsos daqueles afligidos por eles por causa do poder no nome do Senhor Jesus. A seguinte história real mostra como isto aconteceu no caso de uma mulher possuída por demônios:
"A senhora K... veio me ver para falar de uma depressão de longa data. Ela estava muito vaga e nervosa durante a primeira parte da entrevista. Após alguns minutos de conversa fiada e questões preliminares ela me disse: 'Estou com dificuldade em te ouvir pois há três pessoas falando comigo continuamente em minha mente.' Bem, essa era uma experiência nova para mim. Ela claramente não era esquizofrênica, então eu sabia que não se tratava de uma doença psicótica fazendo-a ouvir vozes. Ela estava totalmente sã, embora deprimida. 
"Eu não sabia muito bem o que fazer, mas eu me perguntei se ela estaria tendo uma daquelas experiências ocultas que eu tinha passado tantas horas perguntando sobre. Essa interferência tornaria a entrevista muito difícil, então eu fiz uma pausa e fiz algumas notas simples em sua ficha para comprar tempo. Em meu coração eu disse a Deus: 'Eu não sei o que está acontecendo aqui. Se essa mulher está ouvindo espíritos malignos, em nome de Jesus, por favor, cale-os para que eu possa terminar esta entrevista' .
"Quando, então, eu levantei meus olhos das anotações, ela olhava para mim com uma intensidade que eu não tinha visto nela antes e disse: 'O que você acabou de fazer?' Eu expliquei que eu tinha apenas anotado sua última fala na ficha. Ela não se contentou com essa resposta e persistiu: 'Não, você fez mais alguma coisa.' Eu estava confuso naquele momento e novamente afirmei que eu só estava escrevendo em sua ficha, e perguntei o que a fazia pensar que eu teria feito qualquer outra coisa. Sua resposta mudou o curso da minha vida espiritual e profissional quando ela afirmou: 'Você fez algo, pois as vozes pararam pela primeira vez em vinte anos. Elas estão agora se escondendo, e estão com medo de você. O que você fez?'... 
"Minha mente de repente se abriu para o fato de que sim, de fato, ela estava sã e estava sendo atormentada por vozes de demônios. Eles pararam de falar com ela porque quando eu orei a autoridade de Cristo encheu a sala e eles ficaram com medo..."*
{* Mullen, Grant, M.D., Emotionally Free. (Chosen Books, Grand Rapids, MI, 2003), pg. 90-91 }

É importante reconhecer o poder demoníaco como uma causa muito real de doença mental, não apenas em tais casos óbvios como o que acabamos de citar, mas também em outras manifestações tais como em padrões de pensamento malignamente distorcidos, insônia, pesadelos e ataques de pânico. Como a Palavra de Deus é abandonada e os valores e princípios cristãos são cada vez mais ignorados, acredito que estamos vendo um aumento na atividade de Satanás em países onde seu poder era anteriormente restringido em grande parte pela luz do Cristianismo.

Para o crente, o melhor antídoto para tais ataques de Satanás é uma vida vivida em comunhão com o Senhor. Os efésios tinham sido pesadamente envolvidos em práticas ocultas antes de ouvirem o evangelho, mas após terem sido salvos foi registrado em Atos 19:19 que "muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos". Em sua epístola a esses mesmos crentes alguns anos depois, Paulo pôde dizer-lhes: "E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as" (Efésios 5:11). Aos colossenses ele pôde dizer: "Ao Pai... o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Colossenses 1:12,13). O crente foi libertado do poder de Satanás, mas se ele persiste em viver uma vida mundana e se ocupa com comportamentos pecaminosos, ele novamente se coloca em uma posição na qual Satanás o pode perturbar. Lembremo-nos que fomos libertos do reino maligno de Satanás, e que somos agora chamados a "andarmos como filhos da luz" (Efésios 5:8). Se obedecermos a essa exortação, não daremos a Satanás a oportunidade de ganhar influência sobre nós.

A Vontade

Já vimos que a vontade está conectada ao "eu" consciente -- a parte de nós que está acima do espírito, alma e corpo, e que definitivamente é capaz de influenciar e controlar todos os três. A vontade foi afetada pelo pecado, tanto que o homem caído agora tem vontade de fazer o mal. Assim Deus pôde dizer, no que diz respeito à humanidade nos tempos de Noé: "Toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gênesis 6:5). De fato, todo o exercício da vontade do homem é errado em si mesmo, pois, como criatura, a responsabilidade do homem é a de obedecer.

A palavra usada para o pecado e a iniquidade nas Escrituras pode realmente ser traduzida como "desobediência" ou "ilegalidade", simplesmente significando o exercício de uma vontade independente. Uma vontade independente está sempre errada, mesmo quando estiver fazendo coisas que possam não ser erradas em si mesmas. Mas essa vontade sempre vai querer fazer o mal, por causa da natureza pecaminosa do homem. O crente possui uma nova vida em Cristo, uma nova natureza que deseja agradar a Deus. Assim em 1 Pedro 4:2 lemos que "as concupiscências dos homens" contrastam com "a vontade de Deus".

Pelo fato da vontade ser afetada por nosso ego pecaminoso, "a carne", como nos dizem as Escrituras, vemos que a mente também é afetada. Colossenses 2:18 fala de alguém que está "debalde (em vão) inchado na sua carnal compreensão (mente)", enquanto Romanos 8:7 nos lembra que "a inclinação (mente) da carne é inimizade contra Deus". Paulo pôde falar sobre como eram os efésios antes de serem salvos: "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos (mente)" (Efésios 2:3). A mente foi feita serva de nossa natureza pecaminosa, e Satanás usa as cobiças malignas do homem para induzi-lo a cometer pecado.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Lidando com o Pecado -- A Raiz

Há muitos versículos na Bíblia que nos mostram claramente que o sangue de Cristo lançou fora de vista os pecados do crente. Em passagens como Romanos 6, a questão do pecado é tratada, em sua raiz e princípio. Ali encontramos a verdade mais a fundo de que na morte de Cristo, Deus viu o fim moral do homem natural. "Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Romanos 6:6). Deus nunca perdoa a velha natureza -- morte é o único remédio para ela. Por causa da morte de Cristo, somos agora capazes de obedecer ao comando de "considerai-vos certamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 6:11). Uma vez que o crente que está "em Cristo" morreu também para o pecado, ele é instruído a tomar essa posição na prática, pois foi colocado nessa posição pela morte de Cristo. Como já mencionamos, a realização prática disso é algo progressivo na vida do crente. Devemos estar prontos a desistir de nós mesmos quanto a nossa velha natureza, se formos permitir que Cristo viva em nós. Quando fomos salvos tínhamos que chegar ao fim de nós mesmos, percebendo nossa completa incapacidade de nos livrarmos de nossos pecados por nós mesmos. Na vida cristã devemos também perceber a total ruína do "homem velho" (o que somos como membros da raça caída) se quisermos andar como cristãos da maneira correta. Enquanto nos concentrarmos em meramente controlar o mau comportamento, nunca perceberemos qualquer alívio permanente do pecado voluntário.

Ao dizer essas coisas, reiteramos o que foi mencionado anteriormente, a saber, que o pecado que permitimos em nossa vida é apenas uma causa que contribui para a doença mental. Nos demoramos nisto um pouco aqui porque é um grande fator que contribui para isso e que é provavelmente mais difundido do que percebemos, e para o qual nem sempre é dada a atenção merecida. Por outro lado, não queremos que o leitor deduza a partir destes comentários que estamos querendo dizer que toda doença mental é devida ao pecado voluntário. Em vez disso, estamos dizendo que é um fator que deve ser considerado, e se presente, deve ser tratado.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A Responsabilidade Moral e a Doença Mental

Devemos nos lembrar de um princípio muito importante, a saber, que Deus sempre nos considera responsáveis pelos motivos de nosso comportamento. Uma criança pequena pode ser mais suscetível a se comportar mal porque não tirou uma boa soneca à tarde, mas pais sábios não aceitarão totalmente tal desculpa para o mau comportamento, mesmo que deem um crédito à falta de uma soneca. Do mesmo modo nós também não podemos jogar a culpa de nosso mau comportamento totalmente sobre uma doença física, embora esta possa tornar mais difícil para nós fazer o que é correto. As Escrituras nos dizem que "o Espírito ajuda as nossas fraquezas" (Romanos 8:26), e isso inclui tais coisas como o transtorno bipolar ou problemas emocionais decorrentes de lesões na cabeça. Além disso, uma doença física, independente de afetar o cérebro ou alguma outra parte do corpo, não pode nos prevenir de seguirmos o Senhor e O buscarmos por ajuda nessa situação. Paulo podia dizer aos coríntios: "Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia" (2 Coríntios 4:16). Da mesma forma, o Próprio Senhor podia dizer a Paulo: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Coríntios 12:9). Enquanto certamente não é fácil lidar com as capacidades naturais distorcidas, reduzidas ou até mesmo ausentes, ainda assim é uma oportunidade para nós de reconhecermos nossa fraqueza e buscarmos o Senhor para nos dar força e ajuda. Muitos queridos crentes descobriram a verdade disso e tornaram-se vencedores e testemunhas brilhantes para Cristo, mesmo com tais deficiências.

Ao fazermos essas declarações devemos, é claro, distinguir entre o comportamento anormal e o pecaminoso. Como resultado da deficiência mental ou doença mental, um indivíduo pode exibir comportamento anormal que é característico daquela doença em particular. Por exemplo, as fases maníaco-depressivas do transtorno bipolar estão muito além do controle do indivíduo, e causarão certos tipos de comportamento que ele não consegue melhorar. A falta de memória e a incapacidade de raciocinar que acompanham o mal de Alzheimer são características dessa doença, e não há o que possa ser feito. No entanto, o comportamento pecaminoso (aquele que é moralmente errado) é algo que temos controle sobre, pelo menos quanto ao motivo, embora as distorções de nosso espírito, alma e corpo por causa da queda do homem possam tornar mais difícil para nós controlar tais tendências. Sem dúvida há, às vezes, uma linha tênue entre o que é anormal por causa da doença mental, e o que é pecado por causa da nossa vontade e motivos errados que estão envolvidos. O assunto do pecado voluntário e de nossa responsabilidade perante Deus traz-nos à questão dos vícios, os quais trataremos melhor a seguir.

O Pecado Que Permitimos em Nossa Vida -- Pecado Voluntário

Já vimos que todos nascemos membros de uma raça caída, e, como tais, somos sujeitos aos efeitos do pecado em nosso espírito, alma e corpo. Além disso, uma vez que o pecado entrou neste mundo temos também uma natureza pecaminosa que as Escrituras chamam de "a carne". As Escrituras usam essa expressão para descrever o "eu" pecaminoso do homem que não pode agradar a Deus (Isto também é explicado em mais detalhes na seção sobre "A Natureza do Homem"*). No Novo Testamento, especialmente nas epístolas de Paulo, essa expressão é usada para se referir à condição moral do homem sem Deus e aos princípios de vontade própria que governam as ações do homem natural. Quando permitimos que nossa natureza pecaminosa, "a carne", aja, ela pode certamente contribuir, e às vezes ser o fator principal, da doença mental. 

{* N. do T.: Não traduzida ainda, mas pode ser lida no texto original, das páginas 78 a 98: https://drive.google.com/file/d/0B-YRE-dLph2XX1IyUlhpYU43V0U/view?usp=sharing}

Quando permitimos o pecado em nossa vida, é algo imediatamente mais sério, pois traz em cena nossa responsabilidade perante Deus. Isto é visto claramente no caso de Nabucodonosor em Daniel 4, cujo estado mental foi permitido por Deus por causa de seu orgulho. Tal pecado é obviamente diferente da tendência à doença mental que é herdada, pois envolve o que as Escrituras chamam de "o pecado que tão de perto nos rodeia" (Hebreus 12:1). Embora não exista dúvida de que a tendência a esses pecados que nos rodeiam é muitas vezes transmitida de família, ainda assim devemos traçar uma distinção entre o que é o resultado do pecado e o que é o próprio pecado. Pensamentos pecaminosos e comportamento ruim podem precipitar a doença mental, e aqui temos, definitivamente, um problema espiritual. Há, no entanto, encorajamento para lidar com isso, pois como crentes podemos conhecer a libertação do pecado pois o Senhor Jesus morreu pelos pecados. Falaremos mais sobre esse assunto quando discutirmos o tratamento.

Por exemplo, raiva suprimida que é mantida em oculto no coração pode trazer a depressão, e a depressão não melhorará até que isso seja reconhecido e tratado. Muitas histórias sobre isso podem ser contadas. Um homem entrou no quarto de um amigo que havia caído várias vezes em depressão, de modo a precisar de hospitalização, e sem rodeios perguntou: "OK, do que você está com raiva desta vez?". E funcionou. O paciente desabafou e começou a se recuperar. Outro exemplo é dado por E. C. Hadley em seu livro "You Can Have a Happy Life" (em português, "Você Pode Ter uma Vida Feliz", não disponível em língua portuguesa). Ele comenta:
"Podemos não estar plenamente conscientes do fato de que o pecado e a vontade própria são a causa de nossos temores ansiosos. É tão fácil enganarmo-nos a nós mesmos e acreditarmos que alguém ou alguma coisa além de nós mesmos é o responsável. No entanto, nunca nos livraremos de nossos medos ou teremos qualquer paz real até admitirmos a verdade e acertarmos as contas com Deus. 
"Uma jovem, criada em um lar cristão, começou a fazer coisas que sua consciência condenava. Não querendo admiti-las e confessá-las a Deus, ela começou a convencer-se a si mesma primeiramente de que Deus não se importava, e depois de que não havia Deus. Por muitos anos ela afirmava ser ateia. Mas o pecado em sua vida gradualmente se desenvolveu em ansiedade e medo. 
"Ela finalmente sentiu como se estivesse perdendo a cabeça e acabou em um hospital psiquiátrico. Muitos remédios foram tentados, mas nenhum alívio veio até que ela encarou o fato de que ela estava tentando tirar Deus de sua vida. Uma vez que ela confessou seus pecados e rendeu-se a Deus, ela foi capaz de sair do hospital livre de suas ansiedades e medos, e com sua consciência limpa."
Às vezes tentamos culpar o mau comportamento a alguma causa física tal como uma anormalidade no cérebro. Um caso assim envolveu um proeminente político que estava atendendo a uma conferência de imprensa. Segue o relato do que aconteceu, escrito por alguém que o ouviu:
"Esse político que possuía uma campanha antidrogas foi um homem evasivo e que nunca assumiu suas culpas e responsabilidades através de seus dois mandatos. Embora ele tivesse enfrentado constantes encargos legais, nenhum deles foi bem sucedido. Desfalque, venda de favores políticos, uso de drogas -- ele sempre era acusado mas nunca declarado culpado.  Um dia ele foi flagrado no ato da compra e uso de drogas ilegais. Estava tudo gravado em uma fita. Como ele escaparia dessa vez? 
"Enquanto se movia em direção ao pódio, um repórter gritou: 'Por que você fez isso? Por que você mentiu por todos esses anos?'
Sua resposta foi imediatada: 'Eu não fiz isso', ele respondeu. 'Meu cérebro estava bagunçado. Foi meu cérebro que fez isso. Minha doença fez isso!'. Não havia qualquer sinal de remorso -- apenas indignação de que alguém tivesse feito tal pergunta"* 
{* Welch, Edward T., Blame It on the Brain. (Phillipsburg, NJ, P & R Publishing Co., 1998), pg. 13 }

Esse homem certamente não estava mentalmente doente no verdadeiro sentido da palavra, mas estava de fato inventando uma desculpa para seu comportamento pecaminoso dizendo que ele não era responsável pois supostamente seu cérebro estava bagunçado!

Todos estamos familiarizados com o bem conhecido caso de Judas Iscariotes, um discípulo do Senhor Jesus que O traiu por dinheiro. Quando o Senhor Jesus não usou Seu poder divino para escapar, mas sim permitiu-Se ser preso, registra-se que Judas devolveu o dinheiro e então cometeu suicídio. Sem dúvida ele lamentava o que tinha feito, mas sua tristeza era mais pela consequência do seu pecado do que pelo próprio pecado. As Escrituras nos dizem que "a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte" (2 Coríntios 7:10). O pobre Judas sentiu tanto remorso que ele "retirou-se e foi-se enforcar" (Mateus 27:5). Tal foi o terrível resultado do pecado que ele permitiu em sua vida! 

Até agora, mencionamos alguns exemplos de doença mental onde o pecado voluntário foi a causa primária do problema. No entanto, o pecado voluntário pode ser um sério fator na doença mental que tem sua origem primária no pecado como efeito da queda do homem. A pré-disposição à doença mental pode ser herdada, mas as manifestações externas de tais tendências podem ser o resultado do pecado voluntário na vida de alguém. Uma propensão à doença mental que, de outra forma, permaneceria latente (dormente) pode ser despertada pelo pecado voluntário. Episódios de doença mental são, às vezes, uma reação específica à ansiedade severa proveniente da incapacidade de lidar com as exigências da vida adulta. Tal dificuldade pode ter suas raízes em uma educação permissiva, onde houve uma falta da disciplina necessária para formar adequadamente o caráter do indivíduo. Um médico (crente) que tratou um grande número de estudantes universitários fez a seguinte observação: 
"Crianças que nunca foram condicionadas por algumas frustrações durante os primeiro quinze anos de vida não se tornam muito preparadas para lidar com as exigências da vida adulta sem experimentar um estresse incomum."*
{* McMillen, S. I., M.D., None of These Diseases. (Fleming H. Revell, Westwood, NJ, 1958), pg. 124}

O Dr. Douglas Kelly, psiquiatra chefe dos julgamentos de Nuremberg, afirmou que criamos "uma geração de crianças que não foram ensinadas à disciplina necessária para se dar bem neste mundo... Temos sido entusiásticos demais em nossa recusa em ensinar o controle para que não traumatizemos as crianças."* Se ele tivesse feito essa afirmação a mais de quinze anos atrás, o que ele diria hoje? As crianças que foram disciplinadas mentalmente e fisicamente para trabalhar, para aceitar as restrições em seus comportamentos, e para direcionar suas emoções e energias para fora em vez de para dentro, não desenvolverão tão facilmente a doença mental, mesmo que tenham a predisposição a ela por hereditariedade. Falaremos mais sobre o assunto quando considerarmos as circunstâncias e o efeito do pecado vindo de fora. 

{* Psychiatry at Work, (Time Magazine, July 18, 1955), pg. 55. }

Em nossa discussão sobre o escopo da doença mental mencionamos os distúrbios de personalidade, e como o pecado algumas vezes distorce a "composição" do indivíduo de modo que seus padrões de comportamento se desviam marcadamente dos demais. É triste dizer que esse efeito do pecado na personalidade de uma pessoa às vezes conduz ao pecado voluntário, no qual o indivíduo fica irritado por não ser aceito como uma pessoa normal. Em vez de admitir o problema e procurar ajuda para lidar com ele, a pessoa ataca os outros. Ela pode negar que tem um problema, escolhendo, em vez disso, considerar-se normal e os outros como anormais. Tais pessoas estão condenadas a levar uma vida muito infeliz até que encarem o problema, o admitam, e busquem a ajuda do Senhor. Em outros casos o indivíduo é geneticamente predisposto a sua estrutura de personalidade ruim, mas então sua vontade toma essa tendência e permite que aja em pecado aberto. Isto é particularmente verdadeiro no sério distúrbio às vezes chamado de personalidade anti-social ou "psicopática". Deixados por si mesmos, tais indivíduos muitas vezes acabam vivendo uma vida criminosa, a menos que a graça de Deus os alcance e os salve. 

Vícios e dependências químicas também fazem parte desse aspecto de doença mental e estão conectados a uma tendência herdada que a pessoa então permite aflorar até ao ponto em que se torna pecado. Uma vez que este é um assunto muito amplo, vamos reservá-lo para uma discussão mais aprofundada mais adiante neste livro.

A questão do pecado voluntário também nos traz a uma discussão sobre nossa responsabilidade moral na doença mental, o que veremos no próximo capítulo.

domingo, 20 de agosto de 2017

O Pecado como Resultado da Queda do Homem -- Os Efeitos Físicos

Os Efeitos Físicos

 

Primeiramente, sabemos que nossos corpos são afetados pelo pecado, o pecado que foi introduzido no mundo no Jardim do Éden. Deus tinha dito a Adão: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:17). As palavras "certamente morrerás" no original hebraico podem ser lidas como "morrendo, morrerás". Ao longo da história da humanidade o homem aprendeu de forma brutal a verdade dessa afirmação à medida que experimentou os distúrbios e deterioração gradual de seu corpo. O cérebro é parte do corpo e assim foi afetado por tudo isso. Uma vez que a alma e o espírito (e finalmente o "eu" consciente) devem se expressar por meio do cérebro, eles podem se encontrar incapazes de fazê-lo adequadamente por causa do funcionamento desordenado do cérebro. A organização física imperfeita do homem desde a queda tornou a mente (usada no sentido geral), através de sua conexão com o corpo (neste caso, o cérebro), sujeita a falsas percepções e expressões anormais.

Tais coisas como o mal de Alzheimer, de Parkinson, tumores cerebrais, lesões na cabeça e infecções cerebrais podem causar distúrbios comportamentais. A falta de sono adequado pode também ser incluída aqui. Podemos colocar o álcool e outros abusos de substâncias nessa categoria, pois afetam o cérebro de forma física. Aqui já estamos lidando com uma combinação de causas, pois o álcool e o abuso de substâncias envolve pecado voluntário, enquanto problemas na cabeça e falta de sono envolvem circunstâncias adversas e o efeito do pecado vindo de fora.

A maioria de nós já teve contato com alguém que desenvolveu mal de Alzheimer, e como resultado não pensa nem age de modo normal. O indivíduo geralmente tem concentração fraca, memória ruim para eventos recentes, dificuldade de planejamento e organização de sua vida, e habilidades de raciocínio prejudicadas. Mais sérios ainda são os problemas emocionais e psicológicos resultantes, tais como mudanças de personalidade, comportamento inadequado em situações sociais, agitação, irritabilidade, e até mesmo paranoia (uma suspeita irracional ou falta de confiança nas outras pessoas).

Em problemas sérios de cabeça ou após um acidente vascular a capacidade do indivíduo de funcionar intelectualmente é comumente danificada, pois geralmente há outras mudanças tais como um aumento de ansiedade, labilidade emocional* e até mesmo agressão. Em alguns casos há um exagero de certos traços (tais como teimosia ou impulsividade) que o indivíduo pode ter tido antes do acidente, e uma falta de controle sobre tendências que podem já ter estado presentes.

Além dessas causas físicas um tanto óbvias da doença mental, sabemos que o cérebro está envolvido em distúrbios mentais tais como a depressão e a esquizofrenia. Não é nosso propósito tomarmos muito tempo sobre o que a ciência médica pode ter descoberto nesse domínio, mas é suficiente dizer que a pesquisa científica tem sido capaz de demonstrar um componente biológico em alguns distúrbios mentais. Por exemplo, várias substâncias químicas estão envolvidas na ação adequada dos neurotransmissores no cérebro, e quando essas não estão presentes na quantidade correta (seja um excesso ou um déficit), sintomas de doença mental podem ocorrer. Isto é certamente um fator importante que contribui em algumas formas de doença mental, e predispõe o indivíduo a um distúrbio particular. No entanto, é um erro categorizar alguém tendo uma doença mental como simplesmente tendo um "desequilíbrio químico". O assunto é muito mais complicado do que isso, assumindo uma complexidade na qual múltiplos genes atuam em conjunto com fatores não genéticos para produzir um risco de distúrbio mental.

{* Labilidade emocional: Psicopatologia. Ausência de estabilidade emocional; tendência para alternar emoções que oscilam entre estados de alegria e de melancolia ou tristeza.

Deixaremos o assunto do álcool e do abuso de substâncias por enquanto, pois estes se enquadram melhor na categoria de um problema espiritual em vez de um ocorrido naturalmente. Mas os outros que mencionamos são coisas que ocorrem porque nascemos em uma criação pecaminosa. Embora os crentes tenham tido seus pecados perdoados, ainda são parte da criação que "geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Romanos 8:22). O próximo versículo nos diz que "nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8:23). Apenas quando o crente tiver seu corpo glorificado ele funcionará do modo que Deus pretendia. Mas, novamente, o problema da doença mental é mais complicado do que simplesmente um distúrbio do cérebro.