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domingo, 20 de maio de 2018

A Carne

Outro termo que precisamos definir é o que as Escrituras chamam de "carne". A palavra é usada de várias maneiras na Palavra de Deus. Às vezes é usada simplesmente para indicar o corpo como algo distinto da alma e espírito, como por exemplo em 1 Coríntios 15:50, onde nós é dito: "A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus". A palavra pode também ser usada para descrever a natureza humana em geral -- o homem em todo o seu ser. Referindo-se à encarnação, lemos que "Deus se manifestou em carne" (1 Timóteo 3:16), e certamente isto implica mais do que simplesmente o fato de que o Senhor Jesus tomou um corpo. Ele teve uma alma e espírito humano (sem pecado), pois Ele foi um homem em todo o sentido da palavra. Do mesmo modo, quando Pedro e os outros caíram no sono no jardim de Getsêmani, o Senhor pôde dizer: "O espírito está pronto (disposto), mas a carne é fraca" (Mateus 26:41). O "eu" consciente de Pedro desejava seguir o Senhor, mas ele não percebeu a fraqueza de sua carne natural. Todo o seu ser natural estava envolvido nessa fraqueza, e não apenas seu corpo. Mas a palavra é também usada para descrever aquele ego pecaminoso que o homem adquiriu quando caiu -- a natureza pecaminosa do homem que não pode fazer nada além de pecar. Assim lemos em Romanos 7:18: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum". Paulo pôde dizer aos gálatas: "Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção" (Gálatas 6:8). William Kelly faz os seguintes comentários no que concerne ao termo "a carne":
"Eu emprego a expressão 'natureza humana' de forma abstrata para a humanidade, sem questionar o estado em que foi originalmente criada ou no qual rapidamente caiu. Nesse sentido a palavra 'carne' é às vezes usada  nas Escrituras simplesmente para se referir à natureza do homem, como em: "E o Verbo se fez carne" (João 1:14), "Deus se manifestou em carne" (1 Timóteo 3:16), Jesus foi "mortificado, na verdade, na carne" (1 Pedro 3:18), "Jesus Cristo veio em carne" (1 João 4:2,3, etc.), etc. O sentido doutrinal especial do termo, ao caracterizar a condição moral da raça, particularmente nas Epístolas de Paulo, aponta para o princípio da vontade própria no coração"*

{* Kelly, William, Christ Tempted and Sympathizing. (The Bible Treasury, Vol. 20), pg. 173-4 }

domingo, 10 de dezembro de 2017

O Sofrimento como um Resultado do Pecado Voluntário

Mesmo que causemos alguns dos problemas pelos nossos próprios pecados que permitimos, lembremo-nos que se viermos ao Senhor falar sobre isso, Ele sempre nos encontrará em amor. Eu conheci um homem (já com o Senhor) que tinha perdido sua juventude e que sofreu de dano cerebral permanente como resultado do constante abuso de álcool. Ele foi obrigado a passar o resto de sua vida em uma instituição, e sua atitude e comportamento inicialmente dificultaram bastante para os funcionários que estavam ali para cuidar dele. Mas então ele aceitou o Senhor Jesus como seu Salvador, e embora suas capacidades mentais ainda fossem muito limitadas e seu comportamento não totalmente normal, a mudança nele foi marcante. Ele tornou-se fácil de lidar, sempre levava um sorriso no rosto, amava falar sobre o Senhor, e tomava parte proeminente no cântico de hinos que ocasionalmente ocorria no lugar em que vivia. Ele eventualmente faleceu, com idade relativamente jovem, mas ele foi certamente um caso onde "ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia" (2 Coríntios 4:16).

Se há pecado em nossa vida que contribui para com o problema, podemos trazê-lo diante do Senhor e lidar com isso. Muito do estresse em nossa vida deriva disso, e talvez nem sequer percebamos. Novamente, e gostaria de enfatizar muito bem este ponto. Muitos queridos crentes estão, de fato, tentando andar como filhos da luz. À medida que falhamos em produzir o fruto dessa luz, podemos nos tornar desiludidos pois somos dirigidos por algo que vem do profundo de nosso interior e que ainda não compreendemos. Talvez tenhamos entendido corretamente a salvação como um presente gratuito, mas não ter entendido que devemos operá-la com temor e tremor (Filipenses 2:12). Não entendemos adequadamente que a santificação (sermos separados para Cristo) é um processo assim como uma posição. Assim, tendemos a forçar em termos de controlar o comportamento em vez de o fazermos pela renovação da mente (Romanos 12:2). Em vez de um comportamento realmente mudado, o resultado é a repressão da carne em vez de morte para ela. Controlamos as tendências más enquanto permitimos que permaneçam armazenadas no coração. Então, quando o comportamento entra em erupção, o que não é de acordo com Cristo, lutamos intensamente para controlar o comportamento ou repreender o diabo (que teve matéria-prima para trabalhar, mesmo que tenha sido ele quem disparou o comportamento), em vez de lidar com a verdadeira raiz do problema.